Agradecimentos
Sendo indispensável à realização de um “trabalho de campo”, no âmbito de uma pesquisa de natureza antropológica, colher dados que incidam sobre a realidade que não só constitui objeto de estudo como conduzem à sua compreensão e interpretação, torna-se indispensável dirigir o agradecimento justamente devido a Maria Marques, sua filha Dra. Isabel Félix e nora Dra. Gilda Custódio. O interesse que demonstraram pela colaboração prestada num projeto, que permitirá fazer perdurar o conhecimento sobre Queiriga, merece não só um oportuno louvor como o meu empenhado reconhecimento1.
I. Circulando – Fenómeno Migratório
Em princípio o título selecionado para encabeçar um qualquer texto deve traduzir, ainda que de forma sintética, as linhas temáticas que o atravessam. Assim sendo, a expressão “Migrações Portuguesas” enquanto indicativo de uma das modalidades que se aloja no vasto conceito de mobilidade constitui, como é bem conhecido, uma permanência verificada ao longo de toda a história do país – Portugal.
Qualquer movimento que constitua uma deslocação, característica própria de todos os seres vivos, elemento que neste contexto sempre teve e continua a ter lugar, caracteriza-se não só como fenómeno físico mas, se produzido ou realizado ao nível da vida humana, passa também a assumir a vertente social que em associação deve conjuntamente ser considerada. Os espaços em que ocorre e a motivação que o produz, tal como as orientações subjacentes, constituem o enquadramento que o sustenta.
As “Trajetórias” empreendidas ao longo da sua existência, naturalmente diferentes no encaminhamento que tomam e nas características que vêm a adquirir e que lhes são próprias, situam-se naturalmente nos contextos geográficos e temporais em que têm lugar e as individualizam.
O deslocamento traduz a realização de um movimento característico da vida humana, que sempre ocorreu. Trata-se de um fenómeno físico e/ou social.
Época – Mobilidade – Lugar
Contexto · Motivação · Orientação · Frequência · Ritmo
Seguem-se como subtexto os encaminhamentos percorridos na diversidade dos itinerários tomados e a retenção de factos, de ocorrências e de situações, merecedores de atenção. Contemplados longitudinalmente, atravessam o tempo e aproximam-nos do conhecimento da dinâmica que lhes é própria.
Uma operação organizada de natureza sistemática, que faça conhecer a existência das localizações escolhidas por indivíduos e grupos para instalação e vivência, conduz ao conhecimento da geografia da sua distribuição e dá conhecer a duração da sua permanência.
A “Memória”, enquanto capacidade de armazenar as informações que o interesse, individual ou coletivo, foi capaz de selecionar e reter, proporciona a sua recuperação em tempo, lugar e ocasião, que para tal surja como justificada motivação.
Esse o motivo que, após ter sido considerado e definido, faz surgir o fenómeno migratório português como principal objetivo de interesse, constitui assim o tema condutor da presente reflexão.
Ao longo desse percurso, cuja permanência ocupou toda a História de Portugal, distinguem-se várias e diferentes etapas. Embora no quadro da mobilidade seja maioritariamente referida a emigração e muito menos a análise tenha recaído sobre a entrada dos estrangeiros no país, situação que aliás sempre ocorreu, esta não poderá também deixar de ser considerada. Trata-se afinal quase de um paradoxo social, se se tiver em conta o volume e as características da permanente emigração verificada em Portugal que, tal como ela, naturalmente também foi assumindo configurações diferentes.
A vinda de escravos enquanto mão de obra forçada ou a imigração de gentes de origem galega, que aqui chegaria em grande número durante um considerável período de tempo, constituem exemplos expressivos do que acima é referido.
A escravatura no nosso país ocorre significativamente a partir do século XV. Fenómeno social hoje inadmissível e altamente criticável manteve-se, no entanto, até à época moderna, alimentado sobretudo pelas populações de origem africana. Portugal, embora tivesse sido um dos países que traficou escravos, é hoje considerado pioneiro no âmbito da sua abolição2.
Lagos, cidade do Barlavento algarvio, ainda mantém o mercado de escravos como lugar que atualmente integra os itinerários turísticos de natureza histórica. Referindo o ano de 1444 como data de fundação, a sua tutela mantém-se associada ao nome do Infante Dom Henrique, príncipe da ínclita geração, a quem é também devida a Escola de Sagres.
O sistema esclavagista que ao correr dos tempos se estendeu por todo o mundo desde o Oriente ao Mediterrâneo e Europa e cujas repercussões ainda são bem visíveis, nomeadamente no continente americano, foi rapidamente associado ao conceito de raça que então surgiu. As avaliações que dele decorreram sobre a desigualdade humana, física e intelectual, que lhes foram imputadas, encontra-se reconhecida como não tendo qualquer fundamento.
O que, no entanto, não impediu que a existência de formas de tratamento completamente desadequadas e inaceitáveis se tivessem instalado, provocando indescritíveis sofrimentos.
A escravatura, processo social que pela extensão e durabilidade que o caracterizam vem sendo referido e criticado, mas não tendo até agora obtido devido tratamento, conduziu instituições internacionais à implementação e desenvolvimento de redes científicas, proporcionando um melhor conhecimento sobre o tema. Lembre-se que, a este propósito, as Nações Unidas contribuíram com diversas iniciativas com ele relacionadas. “Rotas dos Povos Escravizados: Resistência, Liberdade e Património” constitui um programa da UNESCO que merece ser nomeado.
O avançar do tempo leva-nos ao período situado entre os séculos XVIII e XX em que os trabalhadores galegos, na sua maioria provenientes de zonas rurais, viajando em direção às propriedades situadas na região vinhateira do Douro, colmatavam a necessidade existente de mão de obra. Estas fainas agrícolas situavam-se em períodos sazonais bem determinados (preparação dos terrenos, sementeiras e colheitas).
Ao longo do ano, muito especialmente em períodos bem precisos, primavera e outono, os homens partiam em grupos organizados, geralmente designados como rancho, comandados pelo capataz, que exercia funções de coordenação e de direção, não só regulamentando as tarefas por eles desempenhadas, como negociando a respetiva jorna (Alves, 2002).
A deslocalização numericamente significativa operada pelos galegos no território português, tornou-os visíveis e referidos tanto pela sua presença na cidade do Porto como na de Lisboa. Toda a gama de serviços prestados enquanto moços de fretes, transmissores de recados e por exemplo aguadeiros, entre muitos outros, prestou-se a comentários e representações caricaturais. Lembre-se as coleções de gravuras e estampas sobre a vida urbana lisboeta, em que a figura do galego aparece abundantemente. Para citar, entre outros, o caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro que evoca a sua presença por imagem (Pacheco, 2021 ; Pinheiro, 1991).
Em tempos mais recentes, uma situação individualizada pelo contexto histórico em que ocorreu e as condições particulares em que se processou, aconteceu quando as então designadas províncias ultramarinas conseguiram libertar-se da anterior tutela política de Portugal.
Apesar de a República da Guiné Bissau ter declarado unilateralmente a sua autonomia em 1973, só em 1975, na sequência da revolução de abril de 1974, as colónias africanas conseguiram conquistar as respetivas independências, resultado de uma longa luta pela autodeterminação.
Perspetivando a situação presente e procurando conhecer o valor total daqueles que considerados “população residente”, agora integra os estrangeiros que vivem em Portugal, poderá considerar-se como 10 639 o seu número global (2023).
Importa referir que tem sido à custa dos imigrantes que a natalidade tem vindo a aumentar desde 2019, por oposição à tendência decrescente registada entre os anos de 2010 e 2018. Como curiosidade, lembre-se que os filhos de mãe com naturalidade estrangeira aqui residente, representam quase a terça parte (29,2 %) dos nascimentos totais. Os filhos de mães portuguesas representam 70,8 %.
O sociólogo Pedro Góis, professor da Universidade de Coimbra e diretor científico do “Observatório das Migrações”, assinala a importância deste facto, fazendo notar que o nosso aumento populacional não se deve ao crescimento natural, que é negativo, mas sim à dinâmica das migrações. Caso não se mantenham os fluxos de imigrantes, que têm vindo a entrar nos últimos anos em Portugal, o saldo natural negativo que se verifica não terá forma de ser compensado. Será assim necessário que um número superior a 100 000 entradas anuais continue a existir.
Por outro lado, António Vitorino, presidente do novo “Conselho Nacional para as Migrações e Asilo” /CNMA, reafirmando a necessidade de mão de obra estrangeira de todas as categorias de qualificações lembra, com justificada oportunidade, que 40% se encontra integrada no desempenho de atividades de natureza agrícola e nas fainas piscatórias, 35% na hotelaria e turismo e 28% na construção civil. O que o mesmo autor considera mais importante ao nível da execução do poder governamental nesta área, seria proceder à regularização dos 400.000 imigrantes que, embora tivessem manifestado o seu interesse, ainda não tinham obtido o reconhecimento da respetiva situação, que assim passaria a ficar regularizada. Destes 108 000 foram recusados e 113 000 têm os processos em andamento (dezembro de 2024).
Sem perspetivar a nível mundial a mobilidade de forma relativa, não se poderá compreender que as diferenças existentes entre espaços politicamente diferentes nem que um país tradicionalmente considerado de emigração seja, ao mesmo tempo, também considerado de imigração. As pessoas circulam num e noutro sentido, constituindo o fenómeno migratório uma constante, embora sujeita a uma natural variabilidade.
Poderá ser afirmado que se encontram portugueses em todo o mundo, embora o seu destino, número e características pessoais sejam muito diferentes e a fixação sofra mudanças significativas ao longo do evoluir dos tempos.
Alterações muito especialmente verificadas no local selecionado, mas também no que respeita à condição em que se emigra (legal ou clandestina); à forma como se realiza a viagem (só ou acompanhado, em pequeno ou volumoso grupo e mesmo ao nível familiar); na fixação e vivência no estrangeiro, podem ser verificadas regularidades.
Em 2022, Alemanha, Espanha, França, Suíça, Países Baixos e Reino Unido (antes do Brexit) constituíam os principais países de destino, tendo neste último caído quase para cerca de metade.
A situação que Portugal ocupa no contexto europeu, considerando o seu nível de poder de compra, medido pelo PIB per capita, posiciona-o entre os países mais pobres da União Europeia. As desigualdades tradicionalmente verificadas na situação económica e social, tanto a nível interno como a nível internacional, característica cuja permanência ainda se mantém, facilita a compreensão do movimento conducente à procura de uma melhor vida através do trabalho a exercer no estrangeiro, tendo em conta as diferenças entre as remunerações praticadas.
Enquanto na segunda metade do século passado partiram de Portugal indivíduos jovens academicamente não qualificados, uma das características dos que agora têm procurado trabalhar e viver num outro país, é a formação adquirida a nível superior que os diferencia. Em 2022, 40 % das pessoas que deixaram o país tinham entre 20 e 29 anos, o que nos leva imediatamente a constatar que a juventude dos que presentemente emigram se mantém (Gomes et al., 2015).
Não só as assimetrias económicas constituem uma das situações propícias à instalação da mobilidade entre os territórios em que ocorrem, como muitos outros fatores podem, de forma isolada ou em associação, contribuir para que tal aconteça.
As redes sociais estabelecidas no âmbito de pertenças partilhadas, tanto ao nível da mesma naturalidade nacional como do nascimento e vivência num mesmo lugar, mas também enquanto elemento de uma família alargada funcionam em muitos casos como recurso na escolha da localização dos destinos.
Figura 1: Percurso migratório
O que uma continuada observação e análise deram a conhecer conduz ao conhecimento das motivações que levam um número tão elevado de pessoas a deixar o país e os seus, para procurar fora dele usufruir de uma vida melhor.
Em termos práticos e tendo em conta os comportamentos adotados pelos que partiram, verifica-se que em regra permanece a ligação à origem, um sentimento espiritual que se materializa por formas diversas.
A aplicação das poupanças inicialmente utilizadas na aquisição de terrenos de cultivo, bem depressa foi substituída pelas casas que foram sendo erigidas. Ao mesmo tempo, os depósitos realizados em agências bancárias portuguesas instaladas no estrangeiro foram crescendo muito, em função de uma propaganda bem concebida, contemplando as vantagens oferecidas e confiança que inspirava uma mesma pertença nacional.
Partir para a Europa, para além de constituir uma inovação na nossa linha da mobilidade territorial ao nível internacional, encetava um outro ciclo, cuja contextualização geográfica, natureza do trabalho a realizar e condições de vida eram diametralmente diferentes.
Figura 2: Partir para a Europa
©Atlas da Emigração Portuguesa, 2023
II. França um Destino Particular
No âmbito do fenómeno migratório, França surge como um destino muito singular entre os finais do decénio de cinquenta e os meados do de setenta do passado século. Iniciava-se assim o que se costuma designar como Ciclo Europeu e outros países se seguiram, entre os quais se destaca a República Democrática Alemã (Rocha-Trindade, 2014).
A posição que ocupa enquanto principal país procurado pela emigração portuguesa do século XX, como é sobejamente conhecido, pode comparar-se ao lugar que então foi atingido pelo Brasil no século XIX.
A origem dos elementos que sozinhos mas, sobretudo, acompanhados e muito especialmente integrando grupos de dimensão variável atravessavam a fronteira, provinham de todo o território nacional. Modificava-se desta forma a prioridade assumida até então, em que a zona compreendida entre o Norte e a parte central do território continental constituía um lugar de destaque (Serrão, 1978).
Não só por mote próprio como por desafios diversificados e, principalmente, por desejo de atingir um outro nível de vida e um outro estatuto, tendo como modelo o sucesso alcançado pelos que anteriormente tinham partido, o esvaziamento ou mesmo em algumas situações, o abandono e a desertificação de lugares, povoações, aldeias e mesmo zonas de amplitude regional, alterou pontual e drasticamente a distribuição populacional do país.
Por essa época, a nível oficial e no âmbito de uma colaboração internacional, a resposta aos appels d’offre que chegavam aos serviços especializados portugueses por parte das autoridades estrageiras de recrutamento, mobilizaram os antigos inspetores da Junta de Emigração, então técnicos do Secretariado Nacional de Emigração, nomeados para atuar nesse sentido.
São conhecidas as dificuldades por eles sentidas quando anteriormente acompanhavam nas travessias transnacionais, nomeadamente nas transatlânticas, os recrutados legalmente. Por eles enquadrados desde a origem nacional até ao destino no estrangeiro, a forma como eram tratados nessas longas viagens de barco e a deferência que lhes era prestada pelo capitão do navio com quem, por exemplo, partilhavam as refeições na mesa que lhes era especialmente reservada, deixou de ter lugar. A inserção na nova carreira técnica fez perder aos elementos deste grupo o prestígio profissional que auferiam, deixando marcas emocionais visíveis e publicamente assumidas.
O percurso migratório idealmente iniciado antes da sua efetiva concretização, quando a decisão de partir toma forma e verdadeiramente se estabelece, implica que comece a ser preparado todo o caminho que irá seguir-se (Rocha-Trindade, 1995).
Encontrando-se em jogo os dois países implicados, entre a saída de um (origem) e a chegada ao outro (destino), a distância que medeia entre eles intervém naturalmente como condicionadora da seleção realizada.
A viagem, que poderia ser realizada de várias maneiras assume diversas modalidades, conforme a condição de legalidade ou de ilegalidade em que é feita: no caso do percurso intraeuropeu por terra (a pé, comboio, camioneta ou automóvel) ou pelo ar.
Convém lembrar que a deslocação feita a pé, necessariamente mais difícil e muito cansativa, implica não só a existência de um guia como possuir uma grande resistência física, sendo em regra feita por parte de quem, apensar de indocumentado tenta alcançar o estrangeiro de forma irregular. A utilização da expressão “a salto”3, que repetidamente passou a designar quem assim operava, foi definitivamente adotada para definir e referir tal situação.
A França a partir daí, como grande destino da emigração portuguesa, não só durante todo esse período, como pelo lugar que ainda continua a manter no vasto panorama da mobilidade migratória, merece indubitavelmente uma particular atenção.
Embora no seu início se localize de forma significativa, como já referido, nos últimos anos da década de 50 do passado século, a continuidade que se mantém no presente justifica dar a conhecer as entradas que tiveram lugar ente 2003 e 2022.
Figura 3: Entrada de Portugueses em França, 2003-2022
A comparação internacional da presença portuguesa a nível dos principais países de destino, permite conhecer a ordenação dos destinos. Curioso se torna, por isso, analisar a distribuição fornecida pelas Nações Unidas em 2023, que permite avaliar como a presença nacional assegura lugar em todo o conjunto.
Figura 4: Países com mais de 100 000 habitantes portugueses ou luso-descendentes
©Nações Unidas e Plataforma da Pobreza e da Desigualdade do Banco Mundial, 2023.
Figura 5: Presença Portuguesa em França
© Atlas da Emigração Portuguesa, 2023
Dada a natureza do texto que corresponde à apresentação temática que o orienta – fronteiras definidas e estabelecidas – que impõem gerir de forma adequada o relato que se segue, foi escolhida Queiriga como caso paradigmático.
III. Queiriga - um Caso Paradigmático
Conhecida por “aldeia francesa”4, designação que genericamente passou a ser-lhe atribuída pelas autoridades administrativas locais, por todo o meio populacional envolvente e pelos próprios meios de comunicação social que frequentemente a tomam como exemplo, constitui um excelente caso de estudo que ajuda a melhor compreender a emigração portuguesa para a França.
A análise correspondente ao conjunto de censos populacionais realizados entre o ano de 1960 e o de 2021 revela o número total de residentes em Queiriga, repartido por sexos. Embora a grande diferença se situe entre o de 1960 que registava 1 621 pessoas e o de 1970 com 759, em que mais de metade da população deixou de residir na aldeia, a insignificante perda de mais 89 elementos (76 homens e 8 mulheres) verificada em 1980 não revela na prática uma alteração significativa.
Figura 6 : Queiriga- Censos
© Instituto Nacional de Estatística
Como pano de fundo, a distribuição da atual inserção dos Queiriguenses em França merece uma particular atenção, uma vez que as partidas nessa direção foram faseadas, correspondendo as etapas de ocorrência a conjunturas internacionais oportunas e favoráveis.
O baixo nível de vida e a vontade de a melhorar, a necessidade de mão de obra e a disponibilidade para a satisfazer, a existência de intermediários, que não só indicassem o destino como as áreas de localização aproximada para arranjar trabalho e estabelecer vida, muito contribuíram para a distribuição territorial que atualmente se verifica.
Figura 7 : Queiriguenses em França-Espaços Prioritários de Inserção
As primeiras saídas tiveram lugar após a Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918) em resposta a um pedido de mão de obra destinada à realização de trabalhos agrícolas na região de Limours (comuna francesa localizada no departamento de Essonne, a cerca de 30 km a sudoeste da capital). Uma saída do país de oito pessoas, que se revelou de caráter temporário (Anexo 1), não deu lugar a que se seguisse uma generalizada fixação definitiva em solo francês, e só um dos elementos do grupo aí contraiu matrimónio e nele passou a viver definitivamente. Conhecido pelo “Francês”, iria marcar o território para onde se iriam dirigir fluxos que de Queiriga sairiam para essa mesma zona.
Em data posterior e no âmbito da debandada que dispersou pela Europa visivelmente milhares de portugueses, nomeadamente por França, a aldeia de Queiriga viria a ser tocada pelo movimento.
Limours-Orsay, área anteriormente referida, localizada bem perto da cidade de Paris ; Pau, comuna situada a meio caminho entre o mar e as montanhas, no departamento dos Pirenéus Atlânticos/região da Nova Aquitânia (Anexo 2) e Annecy, capital do departamento da Alta Saboia, cidade alpina no sudoeste de França, constituem os três grandes polos de fixação (Figura 6).
Razões de natureza diferente subjazem à instalação que se foi progressivamente estabelecendo nessas regiões, situadas em zonas bem diferentes de um mesmo país, que constituem a atração quase exclusiva dessa mesma origem.
Assim, os “Altos” designação pela qual Limours-Orsay é apelidada, os “Baixos”, nome atribuído a Pau e zona de Bordéus, Annecy e arredores conhecidos pelo “Departamento 74” constituem os três espaços de atração prioritária.
Sem entrar numa descrição pormenorizada, interessa referir os espaços da aldeia que continuam a manter as casas tradicionais, hoje já em número muito reduzido. Umas porque foram deitadas abaixo e assim desapareceram, tendo sido substituídas por novas construções, outras porque foram modificadas por obras que as atualizaram.
Em Queiriga, nos lugares em que o passado sobrevive ainda se encontra o granito. No Anexo 3 encontra-se o resultado do levantamento de todas as casas tradicionais recuperadas que mantêm no exterior a traça original.
O levantamento realizado de forma intencional para dar a conhecer de maneira muito aproximada a existência de casas antigas ou renovadas em zonas distintas da aldeia é transmitida pelo anexo 3. Algumas imagens que se seguem, ilustram o referido.
Figuras 8 e 9: Queiriga tradicional
Entretanto Queiriga modifica-se e a continuada alteração que progressivamente vai acontecendo, deve-se tanto à modificação das construções existentes, como à fisionomia renovadora das novas edificações que introduziram drástica mudança na paisagem.
Figura 10: Queiriga renova-se
O investimento realizado até ao presente pelos Queiriguenses que se encontram fora revela o apego mantido às raízes e, ainda que de forma indireta, à intenção de a ela voltar (Rocha-Trindade, 1983).
IV. Sentimento de Pertença
Alimentada pelo amor à terra, à “sua terra”, essa ligação afetiva que se manifesta publicamente de maneira tão expressiva, tem sido alimentada por fatores, cuja existência paralela ou complementar para isso muito têm contribuído.
Entre as figuras locais identificadas destacam-se alguns dos que tendo partido regressam ciclicamente em visitas pontuais, de duração temporária, ou aí permanecem por períodos de duração significativa no período de férias.
Acresce referir que a permanência constatada nos primeiros anos de emigração para a Europa tem vindo a alterar-se. Para além da permanência que se mantêm (em regra coincidente com o período em que a festa anual se realiza) ocorrem deslocações de natureza turística e muitas vezes estadias balneares em praias portuguesas.
No âmbito dos residentes, uma personalidade de grande proeminência local, o padre Donato de Almeida e Cunha, que nas décadas de 1960 e 70 não só encorajou como proporcionava que a interação continuada se mantivesse, merece uma especial referência.
As deslocações que programava pelas localidades estrangeiras onde tinham passado a residir os seus paroquianos proporcionava o reencontro entre “os de fora” (os emigrados) e os que com ele viajavam (os habitantes da aldeia) integrando essas romagens de saudade.
A gravação de mensagens recolhidas em Queiriga e posteriormente transmitidas no estrangeiro em locais que permitiam que a audição fosse realizada em conjunto, não só obtinham sucesso, como cimentavam o sentimento de pertença a uma mesma origem.
Complementarmente, a difusão das gravações realizadas durante as visitas a França viria por sua vez a ser emitida pelos altifalantes expressamente colocados para esse efeito na torre sineira da nova igreja. Tratava-se de fazer, sempre que para tal se apresentasse uma oportunidade, a ligação entre as duas partes de uma mesma comunidade, torná-las próximas, independentemente da distância física que as separa5.
A publicação detalhada que viria a ser feita no jornal de edição mensal Voz da Queiriga, dirigido pelo próprio pároco como consta na primeira página de cada exemplar, dava conta aos seus leitores “de cá e de lá” de todo o programa realizado em cada visita.
Constitui uma referência do maior interesse, lembrar como a celebração em França da missa dominical em língua portuguesa, podia constituir um polo de atração, permitindo reunir a esse propósito e em torno dela um considerável grupo. A sua publicitação/difusão através de um anúncio manuscrito que informava sobre os dias e horas, sobre o celebrante e prestando também indicação relacionada com o local de residência dos padres que poderiam atender e prestar qualquer tipo de ajuda, não só testemunhava como constituía prova desta permanente ligação religiosa.
A grande festa anual em homenagem a Nossa Senhora da Saúde, realizada no mês de agosto que, por regra tem lugar no terceiro domingo, deixou de ter um caráter estritamente religioso, para que aos poucos fosse associando atividades distrativas de natureza estritamente civil6.
Figuras 11, 12 e 13: Procissão da Nossa Senhora da Saúde
Designada como “Festas do Povo”, passou a ser organizada pela Comissão de Festas (cujos membros são nomeados de um ano para o outro), com o apoio da Junta de Freguesia de Queiriga e do Município de Vila Nova de Paiva que, nos últimos anos, associaram à celebração o “Dia do Emigrante”, o que não só manifesta o reconhecimento como constitui um assumir oficial e revela a importância prestada a tal situação.
O suporte do pálio conferido a pessoas que merecem tal distinção bem como o transporte dos andores ao longo de todo o percurso da procissão, traduz a importância prestada ao ritual da celebração.
Figuras 14 e 15 : Anunciar as Celebrações
A ligação entre os que se encontram no estrangeiro e os residentes na aldeia que a todos pertence por nascimento, ascendência direta ou qualquer outra relação familiar e afeto, revela-se através de “marcas” que manifestam um muito forte sentimento de pertença.
O exemplo de uma residência onde no muro que circunda o espaço de sua inserção foi escrita a frase “Cá e Lá” (Rua dos Prados, 545), o de uma outra onde se poderá ler: “BIENVENUE CHEZ famille MARQUES” (Rua das Cerdeirinhas, 157) ou aind a uma visita ao cemitério local, onde as lápides dos que lá já se encontram ou daqueles que a prazo indeterminado aí reservam lugar, mostra como a presença dos ausentes intencionalmente se afirma.
Figuras 16 e 17 : Queiriga, Rua dos Prados, 545
Figuras 18 e 19 : Queiriga, Ruas des Cerdeirinhas, 157
Figura 20: Cemitério de Queiriga
V. A Presença dos Ausentes
A recordação dos tempos passados, sobretudo a lembrança de dificuldades que se mantêm ainda bem vivas na memória dos Queiriguenses, referem através de discursos emocionados o que foi vivido, as dificuldades encontradas, as perdas ocorridas.
Neste último aspeto aqueles que trabalharam nas minas do volfrâmio e que faleceram ainda jovens ou ainda que de meia idade, vítimas da silicose, são precisamente mencionados pela injustiça das condições que lhes ceifaram a vida, com a natural saudade que continua a manter-se (Ribeiro, 2015).
O estrangeiro, desde a altura em que se provou ser a primeira atração fora de portas, ainda que insegura, é guardado na memória como solução para atingir uma melhoria de vida. Para lá tendo conduzido em data posterior fluxos continuados de gentes da aldeia e respetivas famílias, tornou-se o centro das atenções generalizadas ao nível do quotidiano de Queiriga.
Quase todos tiveram ou têm alguém muito próximo residente em França e falar nos que lá residem é quase tão frequente como sobre aqueles que cá se mantêm. Apenas uns três ou quatro casais vivem no Canadá, o que não é significativo.
A este propósito, será de referir que a nova situação de imigração no país explica que alguns estrangeiros, nomeadamente brasileiros e espanhóis, nela tenham vindo a fixar-se, embora em número muito reduzido.
A escola de ensino primário que encerrou em 2014, deixou de funcionar por falta de crianças que a frequentem.
A canção então entoada pelos alunos da época que, embora procure reconhecer a existência de dois países (Portugal e França), refere Queiriga enquanto aldeia de origem com particular destaque, afirmando a qualidade de “ser bem portuguesa” para evitar qualquer tipo de confusão…
“Queiriga não é francesa
Embora o digam pr’aí.
É terra bem portuguesa
Afirmam os que são daqui.
E os francos que lá ganham
Com muito suor regados
E os prédios que cá fazem
Com amor são levantados”
O oportuno aproveitamento do edifício em que funcionava transformou-a num pequeno museu local, em que a adaptação produzida no espaço interior procura não só manter viva a lembrança de tempos passados, como transmite a intenção de homenagear os seus naturais, representados em diversos espaços e situações sociais.
O nome que encabeça esta instituição é muito feliz: “Queiriga, mon amour” em que a imagem de uma andorinha se interpõe entre as duas palavras e por fim o subtítulo: “Centro de Memórias das Migrações – Centre de Mémoires des Migrations” escrito nas duas línguas (português e francês), transporta para a mobilidade que fortemente marcou e continua a marcar esta aldeia.
Figuras 21, 22, 23: Centro de Memórias das Migrações de Queiriga
VI. Fazer Conhecer a Mobilidade em Portugal
Atendendo à permanência que assume o movimento migratório, em função das circunstâncias em que tem lugar e se desenvolve, impõe-se que o seu conhecimento e divulgação se realizem tanto a título formal como informal.
Uma iniciativa inédita, cuja oportunidade é indiscutível, o que plenamente a justifica, tomada pelo deputado Paulo Pisco na Assembleia da República, merece especial atenção.
Assim, fará todo o sentido lembrar as três resoluções que nela foram aprovadas em 2017 e recomendam ao governo:
(…) valorização do ensino da história da emigração portuguesa - Resolução da Assembleia da República Nº267/2017;
melhoria dos instrumentos de análise e de avaliação da emigração - Resolução da Assembleia da República Nº269/2017;
criação de um museu nacional sobre a emigração portuguesa, dotado de um centro de estudos e documentação - Resolução da Assembleia da República Nº271/2017.
Apesar da pertinência desta proposta, o tempo foi passando sem que lhe tivesse sido prestada a merecida atenção. Apenas a nível municipal surgiram espaços museológicos que a evocam e centros de pesquisa que elegeram o tema migrações como objeto de pesquisa.
Por outro lado, a difusão da situação, podendo ser realizada através de ações e múltiplos instrumentos de atuação, poderia conduzir à sensibilização de um público alargado e diverso (Rocha-Trindade, 2014)
Através da comunicação multimédia, as “marcas culturais” inseridas ou não na paisagem (nomes de ruas, praças, jardins, monumentos e estátuas…) ; artes do espetáculo que incluem o teatro, o cinema e a televisão ; os museus em dedicação exclusiva ou parcial ao fenómeno migratório, qualquer que seja a forma de o evocar.
Embora não exista até hoje um registo oficial sobre o número de estátuas existentes e a sua inserção no território português, o interesse que não só me tem merecido como o estudo sobre o tema realizado levaram a dedicar-lhes uma repetida atenção. Numerosos artigos e projeção de imagens incluídas em PowerPoint, no âmbito de cursos e apresentações orais dão conta do valor simbólico associado a estes 35 monumentos, que visualmente asseguram a presença dos migrantes que evocam. (Rocha-Trindade, 1989)
Figura 24 : Monumentos aos Emigrantes
Simultaneamente o turismo, cujos participantes nacionais ou estrangeiros poderiam facilmente constituir um público-alvo, enquanto excelente objeto de atuação se consciencializados através de visitas guiadas a bairros, memoriais, edifícios de habitação própria ou atrações culinárias que constituem um vasto e diversificado campo de atuação.
A título de exemplo e começando por Portugal, que será seguido por situações que existem noutros países, assinale-se o Passeio Judaico em Moncorvo (Trás-os-Montes); a Judiaria da Guarda (Beira-Alta), assinalada por uma placa colocada numa das paredes pela Associação de Amizade Portugal-Israel; o Bairro Chinês em Paris (Quartier Chinois – Un Coin d’Asie à Paris); nos EUA, em Nova York, Ellis Island Immigration Museum (monumento expressivo que documenta a rica história da imigração americana através de imagens e objetos).
Não raras vezes, eu própria tenho proposto aos responsáveis políticos locais que, ao nível autárquico, possam vir a ser programadas visitas turísticas relacionadas com a mobilidade migratória. Os lugares prioritários de origem, cujo pendor histórico poderia fazer compreender não só o passado como a estreita relação mantida com o presente, contribuiriam para uma melhor compreensão das atitudes de quem partiu e dos comportamentos dos que aqui passaram a residir.
Os espaços museológicos, cujo tradicional pendor contemplativo a eles conduzia pelo prazer de olhar o que era considerado belo ou apreciado por ser diferente, caracterizam-se hoje pela exploração de novas vertentes. Explicar e interpretar o acervo destas organizações, por transmissão oral, passou a ser substituído ou complementado por avançados meios tecnológicos. Os conteúdos altamente qualificados e, sobretudo, a vocação pedagógica que encerram, se realizada da melhor maneira, oferecem também a vantagem de poder atingir públicos muito alargados.
Os museus dedicados ao fenómeno migratório possibilitando várias aproximações interpretativas e desenvolvimento de atividades, separado ou complementar dos conteúdos que possuem, permitem não só transmitir factos atuais que integram a história do próprio país como possibilitam uma visão contextualizada que ultrapassa as próprias fronteiras.
Fafe, concelho situado no interior do Alto Minho, constitui um excelente e inspirador exemplo. Tendo em atenção a emigração para o Brasil, o grande destino tomado então pelos residentes fafenses, seguiram-se as saídas para toda a Europa e nomeadamente para França. Esta situação explica que ao primeiro título fosse atribuído o nome de “Museu da Emigração” (fundado em 2001), que após uma reflexão e tendo em conta o diversificado encaminhamento de quem partia passou a chamar-se “Museu das Migrações e das Comunidades”.
Sem qualquer dúvida, este constitui o primeiro reconhecimento da importância de um fenómeno que faz parte da estrutura social do próprio país e que por isso merece ser lembrado.
Importa referir ainda o museu de Melgaço - “Espaço Memória e Fronteira” - fundado em 2007, cuja situação entre Portugal e Espanha / Galiza conduz à evocação de atividades que caracterizaram a região, emigração e contrabando.
Qualquer um deles, iniciativas municipais, exemplificam como tem sido a partir daí que a musealização do fenómeno migratório se concretiza.
Uma posição, posteriormente tomada pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas (pedido situado entre 2019 e 2022), que programava a criação de uma instituição da mesma natureza, embora combinando todas as iniciativas existentes numa rede institucional, não ultrapassou os planos que a concretizariam. (Rocha-Trindade, 2020).
Como reflexão final do anteriormente referido merece justificada menção afirmar, mais uma vez, a relevância que o fenómeno migratório assume.
Atualmente precisamos dos imigrantes parta alimentar a economia em volume de trabalho. A este propósito têm sido tomadas medidas relativas à regularização (entradas no país e andamento burocráticos dos processos de legalização em curso), apontados como vertente política governamental.
Se se atender ao imperativo que constitui tomar decisões adequadas, deverá ser feito um levantamento das reais necessidades de mão de obra, tendo em conta a sua reconhecida falta, considerando o volume e especialidades necessárias. Considerando as áreas de trabalho que dela necessitam, poder-se-á corretamente selecionar a qualificação dos que intencionalmente são recrutados ou admitidos.
No itinerário histórico percorrido pelos Portugueses sempre se verificou a manutenção da insuficiência de recursos que o país continuadamente tem revelado perante as necessidades de sobrevivência ou aspirações, de que resulta a larga debandada dos seus naturais. Com o correr do tempo e a diversidade de espaços territoriais - o de origem e os de destino – mantêm-se as modificações da característica estrutural do país que não tem sido capaz de manter os seus.
As modificações de natureza pontual daqueles que os recebem, por necessidade de mão de obra ou a capacidade de acolher os que por qualquer razão precisam de aí passar a residir, vai progressivamente ajudar a constituir comunidades que, pouco a pouco, avolumam fora do território a dimensão da nação Portuguesa.
Reconhecer a sua existência e integrá-las ao desenhar em cada ano o programa de ação do país, não só alarga a extensão e volume que passa a adquirir, como reforça a importância internacional que assim assume.
Em Portugal, a organização dos serviços públicos responsáveis pelo pelouro que orienta e administra a mobilidade, não só tem variado de designação e de funções, como ocupa um lugar próprio em diversos ministérios. Enquanto gestores de um inevitável movimento, que assume configurações diferentes, não deixa de se ir adaptando à variabilidade das condições sociais subjacentes, como à orientação política do governo em funções.
Deve, no entanto, ser feita uma proposta mais em jeito de recomendação construtiva do que assumindo qualquer tipo de critica depreciativa, conducente à revisão do assunto.
No largo quadro de internacionalização em que este fenómeno social se situa, vale a pena considerar a vantagem que poderia ser obtida se num mesmo organismo pudessem estar dois departamentos articulados, contemplando a complementaridade de cada um dos movimentos: o de saída / emigração e o de entrada / imigração.
O país tem naturalmente algumas particularidades e tendo por base a apreciação de realidades sem nos limitarmos a perceções enganadoras, deverão ser encarados os desafios que se apresentam e, só depois, definir os caminhos a percorrer.
A atenção genericamente prestada ao fenómeno migratório que era quase inexistente, o que se refletia na falta do tratamento de notícias com ele relacionadas por parte dos média, alterou-se drasticamente. Na época presente não só a frequência das publicações é diária, ocupando toda a página de um jornal diário ou semanal, como constitui objetos de abordagem comentada de programas e noticiários televisivos transmitidos em horário nobre.
A mobilidade dos naturais residentes fora do nosso país, embora tenha perdido o lugar prioritário no interesse de quem a noticiava, foi substituída pelas referências aos que vindos de fora, aqui procuraram instalar-se e trabalhar.
As análises dos comentadores políticos que analisam a situação e que quase diariamente a comentam, julgando a situação e as decisões governamentais tomadas a esse propósito, constitui mais uma revelação da importância prestada à mobilidade.
Todo o enquadramento político, social e económico em que se situa a mobilidade, exige uma séria reflexão e tomadas de posição diferentes.





















