Um fantasma ronda a Europa e o mundo? Segundo Butler, em seu livro Quem tem medo do gênero?, “gênero” tornou-se um grande fantasma monolítico. De categoria administrativa (M/F/Outro), ou tema de especialistas na academia, de dissidentes e ativistas, com diferentes sentidos (inclusive um inevitável pós-) e críticas (também de feminismos africanos, islâmicos e latino-americanos, muitos mais do que aqueles mencionados por Butler), transformou-se em uma entidade unívoca que parece atravessar todos os conflitos sociais, políticos e culturais, bem como a produção global de imagens. A chamada “ideologia de gênero” aparece como uma ameaça em uma suposta nova “batalha cultural”. A relação entre gênero e ideologia, contudo, já havia sido formulada por Teresa de Lauretis, em seu clássico “A tecnologia do gênero”, entre outros textos. Desde então, a relação entre cinema, audiovisual, imagens em sentido amplo e gênero vem se transformando, assim como os estudos queer e de gênero na América Latina. Se, no texto de De Lauretis, o gênero aparece como construção e representação produzidas por tecnologias como o cinema, entre muitas outras — inclusive o feminismo —, neste dossiê convidamos à apresentação de propostas em torno das seguintes questões: como fazer gênero com imagens? Que implicações diferentes imagens — fotográficas, visuais, (áudio)visuais e cinematográficas — têm nos fazeres e desfazeres do gênero, nos arquivos da biopolítica e da necropolítica, na manosfera e na violência institucionalizada?
Mas também: o que elas performam ou desperformam a partir de resistências criativas, de performances a anarquivos e contra-arquivos, a partir das margens gênero-geográficas? Propõe-se, assim, investigar a questão da performatividade não mais no discurso ou nos atos de fala, mas a partir do campo visual e audiovisual e das ima-gens produzidas desde o Sul Global.
Temas
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Performatividade visual, audiovisual e cinematográfica em leituras e culturas queer e transfeministas a partir do Sul Global.
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Performatividade das imagens e do gênero nos arquivos médicos, psiquiátricos e da biopolítica.
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Sexismos e violências institucionalizadas no uso, na circulação e na produção de imagens em redes sociais, plataformas digitais e por meio da IA.
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Performar e desperformar o território audiovisual a partir de interseccionalida-des gênero-geográficas, ecologias, nomadismos, exílios e migrações.
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Performatividade, afetos, pós-gênero e pós-humanismos nas imagens da me-mória e da (pós-)memória.
Data limite para envio de propostas: 15 de novembro de 2026.